* N. de C. *

Oct 11

“Perhaps one did not want to be loved so much as to be understood.” — George Orwell

Oct 09

[video]

“A poem has secrets that the poet knows nothing of. It takes on a life and a will of its own. It might have proceeded differently - towards catastrophe, resignation, terror, despair - and I still would have to claim it. Valéry said that poetry is a language within a language. It is also a language beyond language, a meta-medium - that is, metabolic, metaphoric, metamorphic. A poet’s collected work is his book of changes. The great meditations on death have a curious exaltation. I suppose it comes from the realization, even on the threshold, that one isn’t done with one’s changes.” — Stanley Kunitz - (The Art of Poetry, No. 29)

Oct 08

Um mundo com mais poesias e menos poetas - Literatortura -

Nos tempos atuais, é mais fácil achar um unicórnio rosa do que uma boa poesia.

Quando falei esta frase no meio de um grupo de literatos que justamente elogiavam a quantidade de livros de poesia chegando às livrarias, fui encarado com desconfiança e, em seguida, a conversa se direcionou para águas mais calmas. No entanto, longe de ser algo rabugento, foi uma afirmativa exasperada: onde estão as poesias? O que fizeram com elas?

Não se iludam pela quantidade. O mundo está cheio de poemas. Acessem qualquer rede social e serão encharcados por poemas de todos os tipos. As livrarias passaram a contar com prateleiras dedicadas aos livros de poemas, algo impensável anos atrás. Muitas pessoas se identificam de forma orgulhosa como poetas e existem escritores que inclusive afirmam fazer algo chamado de “prosa poética” – um eufemismo para “olhem só como eu escrevo bonito” -, mas, na verdade, as pessoas sequer sabem a diferença entre poema e poesia. Poema é a forma, poesia é o sentimento. Qualquer um pode fazer um poema, pouquíssimos fazem poesia. A melhor definição de poesia ainda é aquela que o Paul Valéry deixou: “A poesia é a intenção de representar, mediante os recursos artísticos da linguagem, aquelas coisas que as lágrimas, as carícias, os beijos, os suspiros, etc., expressam vagamente.” Pensando nisto, em quantas poesias você sentiu a lágrima do outro correr pela sua face, ou a sensação de lábios invisíveis contra os seus, ou o toque sensível que passou toda a compreensão necessária para um momento de angústia, ou o suspiro que você não deu se espalhar pela sala?

Existem muitas pessoas escrevendo poemas e, talvez por este motivo, seja cada vez mais difícil achar a poesia. Ao contrário do que se imagina, poesias não se fazem com palavras soltas no meio do papel, nem com jogos estéreis de som e muito menos com imagens edificantes ou lições de vida. Aristóteles dizia que “a natureza abomina o vácuo” e, assim, a natureza precisa extirpar a poesia do vácuo, precisa dar-lhe forma para que possa ecoar no vácuo interno de outros seres humanos. Dizia Gaston Bachelard que “a poesia ensina a respirar bem”. Poesia é respiração.

Nos tempos modernos, por causa da velocidade da leitura e da busca constante por mais produção (ou estar na mídia), vejo alguns escritores apresentando livros de poemas como uma forma de publicar algo que não seja muito trabalhoso. É a estratégia do “não tenho tempo para fazer algo mais trabalhado, vou jogar algumas frases bonitas em um papel, dizer que é uma poesia e, depois, publicar”. É um jogo ardiloso: quem será capaz de criticar o “eu lírico” de um escritor sem criticar o eu físico? Quem pode dizer que ele não sabe arquitetar imagens poéticas, se sabe manusear palavras? Quem poderá mostrar que o rei está nu, se a poesia é diferente da prosa e, em tese, aceita tudo o que esteja na forma de poema?

O pensamento está invertido. É muito mais difícil fazer uma boa poesia do que um texto em prosa. A facilidade da forma só deixa mais difícil ainda esconder os problemas de estilo. Para um leitor atento, a poesia malfeita inclusive desconstrói a prosa do autor, mostra a planura dos seus sentimentos, os defeitos da sua visão de mundo. Existem momentos em que é melhor ficar em silêncio e, se for para concretizar uma poesia ruim, mais apropriado seria preservar as palavras ao invés de desonrá-las. Palavras também possuem sentimentos.

Ainda assim, existe o aplauso das multidões a dar suporte para os maus poetas. Por muito tempo, não entendi como as pessoas podiam saudar poemas ruins e passá-los adiante como se fossem maravilhosos, até o momento em que percebi que boa parte destes poemas versam sobre mensagens dignas de autoajuda ou sobre sentimentos como saudade, amor e tristeza. É o público da literatura de autoajuda e das novelas se ramificando para dentro dos poemas, confundindo por completo aqueles que buscam as verdadeiras poesias.

Muitas pessoas acham que o verso livre permite tudo em termos de poesia. Estão erradas. Os poetas que usaram o verso livre conheciam – e estudavam – as formas clássicas de poesia e, exatamente por este motivo, foram capazes de transgredi-las. Não existe isto de alguém sentar, escrever dez frases bonitas e indiferentes e chamar de poesia. O verso livre é a poesia mais impossível de ser encontrada, pois tem rimas e ritmos que só se tornam visíveis pelos sentidos, fora de uma lógica cartesiana. Para achá-la, é necessário se perder, ser como o albatroz que mergulha do céu na esperança que o cintilar das águas seja um peixe, e poucos tem tamanha coragem.

Falta educação poética para os escritores e, por consequência, para o público leitor. Faço meu depoimento: não gostava muito de poesia. Nos últimos dez anos, por influência decisiva da minha professora Léa Masina e da sua “dieta de poesia” (ler uma poesia por semana; ainda não cheguei ao uma poesia por dia, mas já ultrapassei o uma poesia por mês, algo alvissareiro), acabei lendo muito. Também estudei bastante, li os teóricos e aquilo que os grandes poetas ensinaram. Tive minhas próprias ideias sobre poesia e, agora, sou capaz de entendê-las (e me aterrorizar, pois ler poesias, para mim, é a própria extensão do medo) e até escrevê-las. No entanto, o maior respeito que eu tenho para as minhas poesias é evitar que venham ao mundo enquanto não forem dignas e, por este motivo, sei que dificilmente deixarão minhas gavetas. Não tenho pressa alguma para acertá-las; deixo elas respirarem sozinhas.

Em um artigo para o Jornal do Brasil veiculado em 20/07/1974 e intitulado “A educação do ser poético”, Carlos Drummond de Andrade afirma que “o uso da escrita poética na idade adulta costuma degenerar em abuso que nada tem a ver com a poesia. Fazem-se demasiados versos vazios daquela centelha que distingue uma linha de poesia, de uma linha de prosa, ambas preenchidas com palavras da mesma língua, da mesma época, do mesmo grupo cultural, mas tão diferentes”. A poesia precisa ser reconquistada e deixar de ser abusada por maus poetas. Ainda que a sua capacidade de se autoinventar seja infinita, o mundo seria um local bem melhor se os poetas respeitassem mais as poesias e menos a facilidade enganadora das imagens poéticas fáceis.

Gustavo Czekster

Source: literatortura.com

Oct 07

baimbie:

bonvivantx:

“If all cosmos were the same distance apart, gravity would pull them all in the same direction. They’d remain perfectly aligned, and precisely nothing would happen. Irregularity, imperfection, and lack of order in hydrogen compacts, atoms of gas gravitating away from each other, and compressed temperatures is what created our universe. Perfection in our galaxy simply does not exist. Without imperfection, neither you nor I would exist.”
— Into The Universe with Stephen Hawking: ‘The Story of Everything’ Utilize this as an analogy next time attempt to undermine your self-worth caused by fallacious and subjective standards one must meet in order to attain aesthetic appeal. Symmetric cannot be created if its source is asymmetric.

baimbie:

bonvivantx:

If all cosmos were the same distance apart, gravity would pull them all in the same direction. They’d remain perfectly aligned, and precisely nothing would happen. Irregularity, imperfection, and lack of order in hydrogen compacts, atoms of gas gravitating away from each other, and compressed temperatures is what created our universe. Perfection in our galaxy simply does not exist. Without imperfection, neither you nor I would exist.

Into The Universe with Stephen Hawking: ‘The Story of Everything’

Utilize this as an analogy next time attempt to undermine your self-worth caused by fallacious and subjective standards one must meet in order to attain aesthetic appeal. Symmetric cannot be created if its source is asymmetric.

(via pale-nerd)

Oct 06

WHEN I TRY A NEW PROTOCOL WITHOUT OPTIMIZING IT FIRST

whatshouldwecallgradschool:

disaster parakeet

credit: prenck

“Once in a while  there are days beyond the statements of reasonLet me explain the infinite              with an unpretentious smileShow me this beauty of truth             with a touch from God’s heart”.


Jozimar Carlos Szczepanik - (Senses)
Picture by me.

Once in a while
 there are days beyond the statements of reason

Let me explain the infinite
             with an unpretentious smile

Show me this beauty of truth
             with a touch from God’s heart”.

Jozimar Carlos Szczepanik - (Senses)

Picture by me.

[video]

Oct 03

“I’m so glad I live in a world where there are Octobers.” — L. M. Montgomery, from Anne of Green Gables (L.C. Page & Co., 1908)

(Source: apoetreflects)

Sep 30

The feeling you get when you listen to a very good music                 for the first timeand your soul wakes up in ecstasy to danceThe feeling I getwhen I met you                for the first timeI see I seeI look at the world and I look at you:You are a glass angel locked in a burning roomI wonder…How long did it take to be what it isHow many years it travelled across the hazeto use itself as a weaponbuilding upon the ashes                of what it destroysAnd for this all it makes me amazed at allAll things built up to be a momentBecause it somehow started for its own right to start                just for it to be what it is… I saw her there                and I recognize in the first scene, beautifulWhat she is, there she was:She was a fucking neuron                between all those blood cells.


Jozimar Carlos Szczepanik - (The feeling I met)Picture by me: Florianópolis - SC

The feeling you get
when you listen to a very good music
                for the first time

and your soul wakes up
in ecstasy to dance

The feeling I get
when I met you
                for the first time


I see I see
I look at the world
and I look at you:
You are a glass angel locked in a burning room


I wonder…
How long did it take to be what it is
How many years it travelled across the haze
to use itself as a weapon
building upon the ashes
                of what it destroys
And for this all it makes me amazed at all
All things built up to be a moment
Because it somehow started for its own right to start
                just for it to be what it is


… I saw her there
                and I recognize in the first scene, beautiful
What she is, there she was:
She was a fucking neuron
                between all those blood cells.

Jozimar Carlos Szczepanik - (The feeling I met)

Picture by me: Florianópolis - SC

“I’ve been forgedIn steel and clayTo be BothSoft and RoughJust to dealing            with fire                    while drinking                                    water                                                upside downAnd all of that means absolutely nothing…”

Jozimar Carlos Szczepanik - (Sunrise)

“I’ve been forged
In steel and clay
To be Both
Soft and Rough

Just to dealing
            with fire
                    while drinking
                                    water
                                                upside down

And all of that means absolutely nothing…

Jozimar Carlos Szczepanik - (Sunrise)

“A poet must never make a statement simply because it is sounds poetically exciting; he must also believe it to be true.” — W. H. Auden

(Source: writingquotes)


Picture by me: Florianópolis - SC

Picture by me: Florianópolis - SC